quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

A frase da Semana vai para Jaime Ramos!...

Ontem quando confrontado pela comunicação social, o Deputado líder Parlamentar do PSD-M, Jaime Ramos, sobre o que achava das declarações do também Deputado social-democrata e que na qualidade de responsável máximo da FAMA (Fórum da Autonomia da Madeira), que mais uma vez pediu ao Presidente da República a exoneração do Representante da República nesta Região Autónoma, o sr. Jaime Ramos afirmou o seguinte:

FAMA??!... Que é isso??!... Isso não existe!... Não comento!...


Por isso e para mim, esta constatação do Líder Parlamentar do PSD-M, para além de afirmar o que todos nós já sabíamos de que a FAMA não passa duma associação fictícia que se calhar não tem mais do que três associados, demonstra que nem o próprio PSD-M, já nem liga ao já caduco sr. Gabriel Drumond, que deveria dedicar-se a agricultura e a cuidar dos netos, se é que os tem!...


Também esta frase (que é para mim a frase da semana!), é a certidão de óbito que faltava para dar fim a esta associação estranha que muito envergonhou os Madeirenses. Até que enfim alguém teve a coragem de o fazer!...


Parabéns ao sr. Jaime Ramos!...


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Sondagens sobre o caso "Freeport", as leituras!...

Li hoje no blog "Mudar Portugal?", do bloguista Luís Melo, um "post" denominado "Partidarites e simpatias ", com o qual concordo plenamente e que responde as abusivas interpretações socialistas que temos vindo a ler na blogoesfera sobre este tema, na tentativa ridícula de minimizar as consequências deste caso no eleitorado, já com vista as próximas eleições. Sendo que esquecem o mais importante, os danos tremendos na já descredibilizada justiça portuguesa.

É também estranha a necessidade sentida por certa comunicação social portuguesa, que a "quente" quis saber já o que pensam os Portugueses sobre este assunto. O que poderá ser uma tentativa clara de a força, influenciar os eleitores. Não acham?!!...


Fica aqui o texto:


«Já disse aqui, que sondagens e estudos, valem o que valem, por serem muitas vezes encomendados. E portanto terem resultados que favorecem quem os pede.


No entanto, penso que posso tirar uma conclusão fidedigna do estudo que se apresenta, sobre o caso Freeport.


As pessoas acreditam ou não na inocência dos intervenientes, por convicções partidárias, por simpatia ou pelo que ouvem nos media. Em vez de pensarem, ponderarem e avaliarem - pelas suas cabeças - os dados, os factos, os cenários.


Esta conclusão é extremamente infeliz, e é a razão pela qual nunca um caso mediático como este, terá resolução em Portugal.»




Muito bem!...

Devo confessar que por diversas ocasiões já fui muito critico para com o Dr. Martinho Câmara, Vereador do CDS na Câmara da Calheta, e com o próprio CDS da Calheta, por entender que faziam uma oposição fraca ao PSD local. Mas hoje tendo em conta o que disse sobre a gestão Autárquica do Sr. Manuel Baeta, devo confessar que estou muito satisfeito por este meu companheiro ter caracterizado como devia a gestão desastrosa do PSD na Calheta. E por isso está de Parabéns!...

Fica aqui o texto do DN-Madeira com a notícia: "Calheta "esbanja milhões" e a população "conta tostões", em que o Vereador do CDS refere que é um "escândalo" o "novo-riquismo" de Manuel Baeta.


«"Os valores gastos com as iluminações de Natal foram um escândalo". É desta forma que a oposição camarária na Calheta classifica o quase meio milhão de euros gastos por ocasião do Natal.


Martinho Câmara não poupa críticas a Manuel Baeta. "Em vez de fazer investimentos, limita-se a esbanjar milhões numa altura em que as pessoas da Calheta teimam em contar os seus tostões". E, pior do que isso, "continua a assobiar para o lado como se nada estivesse a acontecer". Diz mesmo que "as prioridades da Câmara não se ajustam aos tempos de crise que correm", considerando que a mesma está "fora de sintonia da actual conjuntura".


O autarca centrista sustenta que, "afinal, o CDS tinha razão quando afirmou que esta Câmara limitava-se à gestão do dia-a-dia e à organização de eventos próprios de novo-riquismo", acusa. Ainda assim, diz não duvidar "da legalidade dos montantes em causa", mas diz-se muito reticente quanto "à legitimidade dos valores gastos".


Crítico com "algumas pessoas do PSD, que dizem que não sei o que isso é, nomeadamente quando se fala de crise", o vereador sem pelouro assegura que "agora as pessoas da Calheta sabem o tipo de governação que temos". Diz mesmo ser "importante que os calhetenses conheçam melhor a governação e a forma como é gasto o dinheiro do erário público", até para comprovarem que "existe uma alternativa por parte daqueles que sempre estiveram ao lado das famílias e dos contribuintes da Calheta".


Sem "uma única obra:


"Martinho considera que Baeta, "passados 14 anos, ainda não tem marca nem obra", sustentando que "não cola mais confundir as obras do Governo Regional e da Sociedade Desenvolvimento, como se fossem obras da Câmara". Salienta mesmo que da parte da autarquia as obras "são inexistentes. Neste mandato a Câmara não tem uma única obra materializada. Nada de nada", assegura.


Acusa por isso a política de investimentos social-democrata de não ter ido "ao encontro das necessidades das populações, já que aquilo que se assiste é uma desertificação do concelho e ao êxodo em massa dos jovens. Hoje todas as famílias da Calheta sabem o que é ter um filho, ter um marido ou um pai fora da Madeira. As políticas foram um fracasso autêntico", denuncia.


Viver da "aparência":


Ironicamente, diz que há unanimidade em se reconhecer "uma melhoria na aparência do concelho. Mas é isso e só isso. A Calheta vive da aparência da zona baixa, já que as zonas altas continuam esquecidas e a empobrecerem a cada dia", aponta. E questiona: "Se existe tanto dinheiro e a crise ainda não chegou, como dizem os senhores com responsabilidades na governação do Concelho, então o porquê das obras dos programas eleitorais de há 14 anos a esta parte ainda não terem sido cumpridas", enumerando os exemplos, entre outros, do quartel de bombeiros, mercado municipal e centro de saúde.


Às obras por fazer, junta-se também "o porquê de não existir um PDM. Quem é que é o interessado em que o mesmo não exista?", pergunta.


Em suma, Martinho Câmara considera que "a Calheta vive sem rei nem roque" e alerta a população para as promessas que têm sido constantemente adiadas. "Até quando?", interroga-se.»

Concordo Plenamente com o Arq. Vilhena: "Planos Obtusos"

A revista Monocle dedicou a edição do Verão passado a analisar e propor formas de construir melhores cidades. É certo que a presente crise mundial nos vai revelar novos paradigmas e, eventualmente, apresentar novos ideais. Mas tão certo como isso é que o progresso da humanidade continuará a fazer-se nas cidades, lugar concentrado de trocas, o carburante que faz mover a humanidade, mesmo na era da Internet. Pegando nos bons exemplos, a referida edição lista 20 cidades que reúnem condições para serem urbes melhores. Mesmo atendendo a que as cidades são sistemas de grande complexidade e que não há receitas, são identificadas uma série de condições que contribuem para o seu sucesso. Vários aspectos são tidos em conta: a segurança, o nível educacional, os cuidados de saúde, o clima, a dinâmica cultural, a qualidade e inovação arquitectónica, a oferta de parques e espaços verdes, o sistema ecológico, os preços da habitação, a vitalidade do comércio, a eficiência dos transportes públicos e a tolerância cultural, entre outros predicados. No fundo e simplificando, como em qualquer outra avaliação, "tem que ter bom aspecto, ser inteligente, ter boas proporções, ser alegre e possuir um bom humor".

Entre os vários aspectos enunciados há um ponto incontornável para o sucesso das cidades e que dá pelo nome de "planeamento urbanístico". Este factor é fundamental para que se possa orientar a renovação e o crescimento de um lugar. Ainda que na maior parte das cidades listadas o planeamento faça parte da cultura e esteja de tal forma entranhado, o desenho urbano, a par do cuidado com o património histórico, é identificado como uma das ferramentas necessárias ao êxito de uma cidade.


Aqui não se chegou ainda a esse entendimento. Os planos de ordenamento do território passaram de um mal necessário do qual dependia o apoio económico da UE, para agora serem apresentados como um obstáculo ao desenvolvimento. Agora, que se percebeu que os instrumentos de planeamento urbanístico são para cumprir e que os PDM, feitos à pressa, sem o propósito de constituírem verdadeiras ferramentas de controlo de qualidade urbana e de equidade, se revelaram inadaptados ou já estão moribundos por não terem sido revistos na devida altura, arranjaram-se novos truques para alterar aquilo que foi publicamente discutido e ratificado. Com efeito, têm sido apresentados uma série de planos de urbanização ou pormenor que alteram a substância do que estava definido nos PDM ou outros planos de grau superior. Pode ser assim? Pode, mas desde que tal esteja suficiente e claramente justificado. E está? Na maior parte não. É o mundo virado ao contrário. Quando os PU ou PP deveriam surgir para dar consistência e pormenor às estratégias definidas nos PDM, aparecem agora a reboque dos promotores imobiliários para conseguirem mais índices de edificabilidade ou para corrigir erros de um passado recente, deturpando o que estava previsto.


Por este caminho, estas ilhas não tardarão a perder o seu bom aspecto apesar do carácter forte da sua Natureza, a sua inteligência perder-se-á na desorganização das suas infra-estruturas e as suas proporções poderão ficar em perigo com o crescimento caótico, em algumas partes horrorosamente disforme. A sua alegria, que depende em geral dos seu habitantes, manter-se-á sem grande dificuldade mas o sentido de humor tende a desaparecer nas mesmas piadas de sempre, contadas sempre pelas mesmas pessoas.



Luis Vilhena - Arquitecto
Sobre(voando) o território, in DN-Madeira 29-01-2009



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Simplesmente devo dizer que estou totalmente de acordo com este ponto de vista tendo em conta o "modus-operandi" habitual dos Autarcas desta terra.

CDS satisfeito com veto «em prol de maior participação»

O dirigente democrata-cristão Filipe Lobo d´ Ávila afirmou hoje que o CDS-PP recebeu com satisfação o veto do Presidente da República ao fim do voto por correspondência dos emigrantes, considerando que a decisão favorece a participação.

«Naturalmente estamos satisfeitos face à decisão [do Presidente da República], decisão em prol de uma maior participação», afirmou o dirigente democrata-cristão, em declarações aos jornalistas no Parlamento.


Filipe Lobo d´Ávila disse que o CDS-PP «já tinha alertado para os riscos da aplicação» do voto presencial para os emigrantes e sublinhou que a medida «vinha em contra-ciclo».


«Numa altura em que se reformula a rede, fechando consulados, não se entende que se imponham condicionantes à participação«, afirmou.


O Presidente da República, Cavaco Silva, vetou hoje a alteração à Lei Eleitoral para a Assembleia da República que punha fim ao voto por correspondência dos emigrantes, argumentando que a proposta iria promover a abstenção eleitoral.


Cavaco Silva alertou, em comunicado, que »é forçoso concluir« que a dimensão da rede consular é incapaz de garantir as necessidades das comunidades se fosse aprovado o voto presencial.


O Presidente da República acrescentou que apesar de o diploma prever que o voto se possa realizar noutros locais que não os postos e secções consulares, »têm sido recebidas informações oficiais« de que em alguns países as autoridades não permitem o voto fora das instalações oficiais portuguesas.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

"Cortando Fundo": Comunicação Social Regional: Afinal são todos iguais!...

A comunicação Social nesta terra por mais voltas que se dê, por muito que digam que são diferentes uns dos outros, na verdade são todos iguais. São todos parciais, privilegiam fortemente o PSD e os seus Governos, quer seja Regional ou Autárquico e claro dão destaque a certas pessoas na Oposição que melhor lhes convêm para justificar esta estratégia.

Para eles afinal só existe o PSD-M e pontualmente certos indivíduos da Oposição, que com a sua acção quase que justificam a tentativa "grosseira" destes de fazer passar a ideia de que na Madeira nas Oposições há um deserto de ideias e de quadros e que afinal ainda estamos em democracia!. São sempre os mesmos, já gastos perante a opinião pública que interessa acompanhar, servindo claramente ao PSD-M.


As direcções de redacção à muito deixaram de ser independentes e imparciais, à muito que vê-mos jornalistas escolhidos a dedo para fazerem a cobertura de certos acontecimentos e mais!, alguns deles até são patrocinados directamente pelo poder instituído até para publicações!, sendo consequência disto uma visão muito enviesada da realidade regional que é "vendida" aos cidadãos desta terra.


Queixam-se de que o Jornal da Madeira é manipulado pelo PSD-M, e de facto até podemos todos concordar!... Mas ninguém me venha dizer que o DN-Madeira por exemplo também não é!!!...


A juntar a estes agora se calhar teremos que começar a desconfiar agora do Tribuna da Madeira, que pelos vistos também poderá estar também a ser manipulado, veja-se o último suplemento especial, dedicado as Autárquicas, que no caso do Concelho em questão (Cª Lobos) no grosso só falou do PSD e que quando fez referências as oposições, foi buscar um Vereador independente, que muito votou ao lado do PSD. Outras oposições nenhuma!... Mentira juntou um texto do Presidente do MPT-M, dum Partido que neste momento não tem representação em nenhum órgão autárquico em Cª Lobos, esquecendo os que verdadeiramente foram eleitos pelo Povo dessa Terra e que muito também tem feito na defesa dos interesses de Câmara de Lobos.


Podem dizer-me que são opções, é verdade!... Mas opções que deturpam a realidade política que deve ser transmitida isentamente a opinião pública.


O pior é que de certeza veremos mais situações destas com o aproximar das eleições, sendo que cada vez mais irá acentuar-se esta forma muito peculiar de se fazer política (comunicação social), numa terra tão singular como é a Madeira!!!...


Veremos se me engano!...


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

"O Contraponto": JSD discrimina estudantes Madeirenses?

De facto a JSD-M, a par de outras forças políticas tem vindo a defender uma mudança junto da TAP e do Governo PS na República para que os estudantes madeirenses sejam discriminados positivamente no custo das viagens aéreas entre a Madeira e o Continente.

Embora considere que a proposta apresentada por estes não seja a mais adequada e que no fim de contas também não abrange todos os estudantes madeirenses deslocados, a verdade é que se tem manifestado e trabalhado no sentido de se ultrapassar esta situação.


Porém esta atenção dada a estes estudantes, contrasta com a postura desta organização que esquece ou melhor não trata da mesma forma jovens madeirenses que cá na Madeira, também são discriminados e passam por dificuldades tremendas para deslocar-se aos estabelecimentos de ensino, isto por causa dos "Passes de Estudante", que como toda a gente sabe são extremamente caros.


De facto a JSD-M, não tem o "mesmo peso, nem a mesma medida", na defesa destes estudantes, porque o Governo que poderia de facto mudar isto é o seu, do PSD-M.


Portanto são bons a defender os estudantes madeirenses, quando o Governo é Socialista em Lisboa, mas quando se trata do Governo Regional, cá no Funchal, até assobiam para o lado!...


Onde anda o empenho dado as tarifas aéreas, quando se fala de passes??!...


As Portarias do Governo regional, publicadas em Dezembro em nada melhorou a vida dos estudantes que residem fora do Funchal e mesmo os do Funchal, em abono da verdade já tiveram dias melhores!...


Por isso, pergunto afinal a JSD-M, também discrimina estudantes madeirenses?!...

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

«Um imenso Freeport»

É preocupante que a legislação ambiental seja usada para protecção de determinados grupos económicos"Aquelas casas! Que horror!" Assim comentava, nos bastidores de um debate, alguém da área do PS a traça das casas cujos projectos José Sócrates garante ter assinado, embora os respectivos proprietários digam não ser ele o autor dos projectos. O tom desta frase estava algures num lugar indefinível entre o sarcasmo e a complacência. O sarcasmo nascia naturalmente da convicção enraizada no meu interlocutor de que os processos de licenciamento deveriam funcionar como uma espécie de comissão de bom gosto que tornasse pelo menos esteticamente inócuas as casinhas do povo. Afinal não há nada que irrite tanto as elites de cada época quanto a arquitectura popular sua contemporânea. Já a complacência resultava não tanto da atitude do meu interlocutor perante os actos e as opções de José Sócrates, mas sobretudo perante si mesmo.

O meu interlocutor era e é o que se pode designar como um socialista histórico. Fazia parte daquele grupo que se fizera adulto nas crises académicas dos anos 60 e 70, reforçara, depois de 74, os seus pergaminhos democráticos combatendo as tentações totalitárias dos comunistas e, durante o cavaquismo, integrara a corte de Soares em Belém. Foram mais de 20 anos a ver-se, ele e todo o seu grupo, como infinitamente cultos e superiores nas mesas espelhadas dos gabinetes. E são eles que agora têm pela frente, como seu líder, um homem que noutro contexto teriam literalmente arrasado. Por elitismo intelectual. Mas não só.


O que em Portugal distingue os socialistas das outras famílias políticas não são os seus actos. É sim a complacência perante alguns desses actos. Complacência que por razões históricas era maior no PS que nos outros partidos - no pós 25 de Abril, o PS emerge como partido e líder inevitável num país a precisar de esquecer o passado. Mas histórias recentes elevaram essa complacência para níveis preocupantes. Essas histórias têm nome. Chamam-se Casa Pia e José Sócrates. O PS terá um dia de fazer o balanço destes dois episódios distintos da sua vida, episódios em que aquele partido reagiu de igual modo perante acusações de natureza absolutamente diversa aos seus dirigentes: nos dois casos, importantes dirigentes socialistas alegaram que foram vítimas de cabalas.


Que o maior partido português, o PS, defenda que em Portugal - o mesmo país que o PS tem governado várias vezes - investigadores policiais devidamente articulados com a comunicação social e instituições da República conspiram contra os seus líderes é um caso que nos devia fazer reflectir. Porque sendo isso verdade é gravíssimo. E não o sendo também é. Porque um partido democrático, com responsabilidades de governo, não pode levantar levianamente suspeitas que descredibilizam as instituições. Esta atitude dúbia do PS, que num dia se diz vítima de cabalas e no outro quer encerrar rapidamente o assunto, conduziu os portugueses, socialistas ou não, a um pântano, no sentido guterriano do termo, mas com a assinalável diferença em relação ao autor do termo que aos restantes portugueses ninguém os convida ou coloca em cargos internacionais. Logo só podemos ficar aqui encalhados e a considerar normal hoje aquilo que na véspera designávamos como crime. E sabendo antecipadamente que amanhã flexibilizaremos ainda um pouco mais a nossa escala de valores.


Mas se do processo da Casa Pia, até pela natureza dos factos, nos resta sobretudo esperar que o tempo, ainda mais do que a justiça, traga a distância que torna mais nítidas as motivações humanas, sobretudo as menos confessáveis, já quanto às suspeitas que envolvem José Sócrates é possível e desejável que se discutam algumas coisas. Até porque José Sócrates tem razão num ponto: no caso Freeport tal como nas casinhas da Guarda estamos provavelmente perante situações legais, ou, mais propriamente, situações cuja ilegalidade não se consegue provar. E se tudo isto poderia ter acontecido com outro primeiro-ministro socialista ou não (sendo certo que se não fosse socialista a onda de indignação teria neste momento proporções bíblicas), a verdade é que casos como o Freeport tenderão a banalizar-se, porque a concepção de José Sócrates do seu Governo como uma equipa negocial de luxo a isso nos levará, sem apelo nem agravo, sobretudo quando os negócios falharem.


José Sócrates entende o aparelho de Estado como uma imensa empresa. A empresa-Estado escolhe, como no caso do Magalhães, os seus parceiros de negócios e cria legislação especial para que esses parceiros não sejam tolhidos nos seus projectos pelos mesmos entraves que se colocam ao cidadão comum. Como bem frisou Pedro Almeida Vieira no blogue estragodanacao.blogspot, hoje o processo de licenciamento do Freeport já nem se colocaria nos mesmos moldes, porque seria projecto PIN, ou seja, teria uma espécie de via verde no labirinto da burocracia e da legislação onde se desgastam todos os outros.


O que os promotores do Freeport conseguiram foi logo à partida aquilo que cada um de nós teria o direito de esperar em igual circunstância: que a decisão fosse rápida. A mim não me choca a celeridade do processo. O que me choca é a lentidão com que são tratados os outros. Muito provavelmente o Freeport nem representa uma degradação ambiental em relação à situação anterior. O que é preocupante é vermos a legislação ambiental transformada num regresso ao condicionamento industrial do salazarismo com a consequente protecção de determinados grupos económicos. Muitos dos terrenos ambientalmente protegidos funcionam como um território em pousio donde o poder político faz desafectações quando entende e a favor de quem entende, baseando-se em critérios que valem tanto quanto o seu contrário.


Em todas as possibilidades de escolha, da banca às escolas, da administração interna aos bolos que comemos na praia, o Governo de Sócrates tirou sempre poder aos cidadãos e reforçou a intervenção do Estado. E esse Estado que não cumpre as suas funções inalienáveis como desgraçadamente se vê na justiça ou na incapacidade de fiscalização do Banco de Portugal, reforça-se pela mão de José Sócrates como a grande empresa nacional. José Sócrates não vê problema algum no caso Freeport. Nem pode ver. O poder para ele é isso: gerir uma equipa negocial de luxo.


Helena Matos

Público, 2009-01-29


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Sem duvida nenhuma, um retrato exacto da realidade "socrática" que este País vive e que em abono da verdade, perfeitamente poderia ser também a realidade madeirense, portanto também uma realidade "jardinista". Ambos usam o poder para manutenção do poder, ambos criam seus inimigos externos, ambos alimentam-se do poder e favorecem as teias de interesse que lhes convém.


O mais engraçado disto tudo é que o PS-M, tem alimentado ao longo destes meses um dossiê dito de corrupção com casos muito semelhantes aos que conhecemos no rectângulo continental, sem nada dizer sobre estes casos nacionais envolvendo socialistas.


Na verdade o silêncio ensurdecedor socialista na Madeira, retira-lhes não só a legitimidade para apontar o dedo aquem quer que seja, como lhes tira qualquer credibilidade, porque corrupção é corrupção, aqui, no Continente, nos Açores ou em Inglaterra, se quiser-mos ir mais longe!...


De facto coerência não é com eles!...


Só há crime, só há ilegalidades, pelos vistos se não tocar nenhum socialista!...


Por isso, continuarei, tal como o faz o meu Partido e bem, a respeitar as pessoas e as instituições (sem tentativas absurdas de partidarização), porque todos somos inocentes até julgamento e condenação em Tribunal. Tudo o resto é política rasca, que no fim virar-se-à contra aqueles que usam e abusam do clima de suspeição, para fins políticos.




quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Parece-me que vamos ter Eleições Legislativas mais cedo

Tendo em conta as noticias mais recentes sobre o caso "Freeport", que envolve o Eng. José Sócrates, parece-me que politicamente será inevitável a queda do actual Governo e a consequente marcação de eleições antecipadas.

A margem política do ainda Primeiro Ministro é já bastante estreita, pelo que vislumbra-se uma ida as urnas para que os Portugueses se pronunciem sobre o que querem.


Sem falar no caso em concreto, visto que estamos a falar de suspeitas da policia britânica e pouco mais e até julgamento e condenação, as pessoa devem ser consideradas inocentes, parece-me que tudo se complica para o PS e para o próprio PM. Veremos o que isto vai dar!!!...


Por outro lado este caso põe mais uma vez em causa a justiça portuguesa, que como se tem visto tem sido colocada em causa a cada notícia que aparece.


Fica aqui a notícia do Público e da Visão sobre este assunto.


«PS terá feito alterações "online" em texto sobre relatório dito da OCDE»

Hoje o Público refere que afinal o texto que foi apresentado na passada segunda-feira e no qual é elogiada a “resistência” da ministra da Educação é uma autentica fraude, visto que afinal não era um documento emitido pela OCDE, sendo que ontem quando o PSD e o CDS confrontaram o Primeiro Ministro sobre isto, este afinal confirmou que o texto era dum tal perito(?!) e não da OCDE, como o Governo tentou faze-lo passar.

Afinal estamos perante mais uma mentira "socrática"!...


Fica aqui o "link" da notícia.

Cá estou de volta!...

Estive afastado deste meu blog por algumas semanas em virtude de não ter disponibilidade para escrever a conta das minhas obrigações académicas e profissionais.
Mas cá estou de volta!....

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Faleceu o Pe. Mário Casagrande

É com muita tristeza que tomei conhecimento da morte do Pe. Mário Casagrande, que embora sendo Italiano, viveu muitos anos da sua vida na Madeira, onde dedicou-se de corpo e alma ao ensino.

O Pe. Mário, pessoa que para além de ter "Grande" no seu nome era de facto um homem grande como pessoa e como educador, sendo importante ressaltar todo o seu percurso como educador quer no Colegio Infante Dom Henrique, quer na APEL.


Conheci-o na APEL a muitos anos atrás, onde tive aulas com ele. E mais recentemente voltei a vê-lo todos os dias de manhã, no Colegio Infante, local onde ainda trocava algumas palavrinhas de circunstância.


Morreu um grande homem!...



Imagem: DN-Madeira





quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Para Todos Um Bom e Feliz 2009!...


Açores/Estatuto: CDS diz «não há quebra lealdade entre órgãos»

«O entendimento do CDS é de que não há aqui qualquer quebra de lealdade entre órgãos de soberania», declarou à agência Lusa o dirigente do CDS-PP Filipe Lobo d'Ávila.

Filipe Lobo d'Ávila não subscreveu a opinião crítica do Presidente da República quanto à Assembleia da República e defendeu que «este processo longo tem demonstrado que os órgãos de soberania têm actuado no âmbito das suas competências».


«As instituições funcionaram. E funcionarão, se for caso disso, no futuro«, acrescentou o membro da Comissão Política do CDS-PP, assinalando que as »questões importantes« colocadas pelo Presidente da República »já poderiam ter sido suscitadas e apreciadas pelo Tribunal Constitucional e podem sempre vir a ser em sede de apreciação sucessiva«.


»Se o Tribunal Constitucional considerar que estas considerações são fundadas, a Assembleia da República terá que corrigir o diploma«, salientou o dirigente do CDS-PP. Filipe Lobo d'Ávila reclamou por parte do CDS-PP uma posição de »coerência« durante o processo de revisão do Estatuto dos Açores, frisando que o partido »não mudou de posição« e votou sempre favoravelmente.


Apesar disso, lembrou que em sede de especialidade »o CDS acompanhou a posição do PSD« no que respeita à alteração do artigo 114º, que estabelece as entidades a ouvir pelo Presidente da República em caso de dissolução da Assembleia Legislativa dos Açores -- alteração rejeitada pelo PS.


«Um pequeno esclarecimento à notícia “CDS-PP aplaude Baeta”»

Chegou-me um e-mail a solicitar a publicação do seguinte esclarecimento tendo em conta o "post" que publiquei na passada semana, denominado "O CDS/PP na Calheta meteu água?!... Não me estranha!...". Fica aqui o esclarecimento, que embora venha assinado pelo meu amigo e companheiro de Partido, Gabriel Neto, não me foi endereçado pelo próprio, o que considero estranho!...

«O Diário de noticias publicou, uma noticia em que o seu conteúdo mostra não a realidade de todos os factos que ocorreram na ultima assembleia municipal, mas parte e a opinião do jornalista. Ora vejam:


1º - Um deputado municipal do CDS/PP, pediu ao presidente da assembleia e a todos os deputados municipais um aplauso para todos quantos durante as sessões da assembleia municipal participaram ordeiramente sem “confusões e pancadaria” e não um aplauso ao presidente da Câmara.


2º - Na notícia também é referido que no CDS/PP há indisciplina partidária, eu diria liberdade de voto.


3º - No período da ordem do dia e após uma explicação por parte de Manuel Baeta do orçamento e plano para 2009 o presidente da Assembleia iria colocar os referidos documentos à votação sem abrir um período de discussão. Um deputado do CDS/PP chamou a atenção para a ilegalidade dos factos e inscreveu-se para colocar algumas questões ao presidente da câmara e também referir que a um ano de eleições autárquicas o PSD não ia realizar as promessas que fizera ao eleitorado em 2005.


Sobre está intervenção que escreveu o jornalista?


Que neste Natal, o menino, que hoje nasceu ilumine os nossos corações e faça com que o 2009 traga uma feliz noticia: Governo abandona projecto do teleférico no Rabaçal.


Um feliz 2009 a todos.»


Gabriel B. Neto
(Deputado Municipal do CDS/PP)

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Estatuto Político Administrativo dos Açores: Os Vencedores e os Perdedores

De facto com o discurso de ontem do Presidente da República, este deixou clara a sua postura não só perante as jogadas políticas existentes entre São Bento e Belém, mas também deixou clara a sua posição sobre as Autonomias e o relacionamento destas para com o Estado ou melhor dizendo a subjugação que certos sectores do Estado ainda teimam em querer para com as Autonomias, e que são representadas claramente pelo Prof. Cavaco Silva.

Para mim e ao contrario do que outros julgam, não esta, nem nunca esteve em causa a qualidade da democracia. Nada de palpável, nada que coloca-se em causa a unidade nacional foi colocada em causa com a promulgação feita ontem contra a vontade do Presidente da República. E ao contrario do que alguns acham, penso que mais do que certos interesses partidários, houve sim de facto pressão de certos sectores centralistas nas mais altas esferas do poder (esses sim!), que tentaram de facto sobreporem aos mais altos interesses do País, visões caducas e de secundarização em mais uma tentativa de subjugação dos Povos Insulares dos Açores e da Madeira, colocando em causa o papel fundamental que hoje as Autonomias tem para o desenvolvimento uniforme de TODO o País.


Os vencedores neste processo foram de facto os Açorianos em primeiro lugar, que viram a sua vontade que através dos Partidos Políticos representados na ALAç, souberam por unanimidade mostrar a uma maioria confortável na AR, como através da sua Autonomia é possível continuar fazer crescer Portugal no Atlântico, num momento único em que as diversas diferenças naturais que os diversos Partidos Políticos tem, foram colocadas de lado, colocando-se a frente os superiores interesses do Povo que os elegeu.


Venceram também todos os Partidos Políticos que na AR, souberam interpretar esta vontade clara dos Açorianos e que colocaram também acima de tudo e de todos esses interesses, que no fim de contas é também o interesse da maioria dos Portugueses, que querem todas as parcelas do seu território crescerem sustentadamente, na óptica de que o crescimento dos territórios insulares também contribuem para o crescimento do restante País.


Perderam não só os centralistas encabeçados pelo Presidente Cavaco Silva, mas também aqueles que fazem o jogo duplo, porque desta vez foram apanhados na sua teia de interesses, tendo em conta que os seus discursos autonomistas, não tiveram reflexos práticos na votação na AR. Refiro-me aos deputados do PSD-M, que com a sua abstenção pretenderam colocar acima de tudo a intenção de não provocarem os centralistas encabeçados como já referi pelo prof. Cavaco Silva, numa tentativa de condicionar sua posição para a futura discussão do Estatuto Político-Administrativo da Madeira, que se prevê seja em breve, tendo em conta que se prevê também esta seja uma proposta unilateral do PSD-M, na ALM e que só conte com um apoio reduzido no Parlamento Nacional. Provando-se com isto que afinal o PSD-M, prefere alianças com centralistas do que com o seu Povo (representado não só pelo seu Partido, mas também pelas restantes forças partidárias com representação parlamentar na ALM), porque isso é o que lhes permite perpetuar-se no poder, como até agora. É contra esta visão da Autonomia que o Presidente da República deveria insurgir-se, mas como poderemos ver num futuro próximo, nada dirá e nada fará. Pois serve ao PSD-M e serve ao Centralismo que os sociais-democratas dizem combater!...


Perdemos também nós Madeirenses, na medida em que os nossos representantes na AR, não estiveram na sua totalidade com este Estatuto, nem com os Açorianos, numa solidariedade fundamental e necessária ao desenvolvimento das Autonomias Regionais, tendo em conta o futuro, o que é uma pena!...



quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Feliz Natal!...


José Manuel Coelho candidato do PND as Eleições Autarquicas por Câmara de Lobos

Confesso que para mim é uma surpresa esta notícia. Porém estranha-me esta candidatura, tendo em conta que este Partido teria candidatos naturais neste Concelho, mas decide importar um que desconhece a realidade local.

As motivações, até para os mais distraídos parecem evidentes e resultam duma conjugação de esforços entre o PS e o PND, para retirar votos ao MPT de João Isidoro, que como se sabe é o outro candidato já conhecido neste Concelho.


As razões e motivações de facto são claras. Para o PS, pelo que sei, esta a ser muito difícil digerir os estragos ocasionados pelo MPT e formar uma lista credível e mobilizadora em Cª Lobos, tendo em conta a grande saída de militantes deste Concelho para o dito Partido, o que tem sido uma tremenda dor de cabeça, sendo que não podendo apresentar-se na melhor força para enfrentar João Isidoro, que facilmente conseguiria cativar parte substancial do eleitorado socialista, o PS, força o seu Partido satélite o PND, apresentar um candidato que como se sabe tem vindo a por em causa este candidato já conhecido do MPT e daí aparecer o José Manuel Coelho!...


De qualquer forma acho, que o PND e o PS por várias razões que agora não interessam apresentar, não conseguirão atingir os seus objectivos (em breve falarei disso).


Pelos vistos Câmara de Lobos será o centro da demagogia nas Autarquicas de 2009, visto que para além da já habitual parodia e folclore comunista, liderada pelo Quintino Costa, deverá juntar-se a estes, a palhaçada e a mentira já conhecida do PND e do seu também comunista e militante José Manuel Coelho. Triste coisa!!!...


Lamentavelmente, conjugam-se novamente factores que farão com que o PSD, dê um novo "passeio" eleitoral neste Concelho, culpa novamente da Oposição no geral, mas em especial do PS, que para além de nada ter feito nos órgãos autárquicos onde esta ainda representado, também não candidatará ninguém conhecido que eleve a discussão política, como seria desejável.


Veremos o que farão os restante Partidos!...

CDS/PP na Calheta meteu água?!... Não me estranha!..

Quem leu a notícia de ontem do DN-Madeira, sobre os últimos acontecimentos da Assembleia Municipal da Calheta, deverá ter achado, que a oposição por aquelas bandas não anda bem e pelos vistos é de acreditar que é mesmo verdade!...

Eu, acho sinceramente que este é um sinal claro de que para o ano, em eleições autárquicas o CDS poderá ter resultados como nunca antes obteve na Madeira, inclusive no seu principal bastião autárquico, a Calheta. Previsivelmente os resultados serão em regra geral desastrosos, tendo em conta que continua-se teimosamente a não descentralizar a iniciativa política em estruturas eleitas nos diversos Concelhos, com medo sabe-se lá do que?!... A muito que o Partido não tem estruturas concelhias eleitas na Região (a excepção de P. Sol), não respeitando-se os estatutos vigentes. O pior é que nem se promove a tão desejada revisão estatutária (já estudada e que esta pronta a mais de um ano), que abriria caminho a implantação que o Partido bem precisa na RAM, para motivar os militantes e que lhe permitiria também uma melhor preparação para os embates eleitorais, como aqueles que irão acontecer para o ano, nomeadamente as Eleições Autárquicas. O que é uma pena, tendo em conta na minha opinião, o grande potencial de crescimento que o CDS teria.


É pena!...