domingo, 10 de junho de 2007

Venezuela: O outro lado da questão I

Passei os olhos com muita atenção ao texto que o bloguista Filipe Malheiro, escreveu para o Jornal da Madeira e que também pode ser lido no seu outro Blog: “Pináculos”, denominado: “Venezuela I”.

Da abordagem feita pelo Filipe Malheiro, posso dizer que concordo, com ele, quando diz que a nossa comunidade lá residente não deveria estar surpreendida, com o evoluir que a situação social, económica e política que a Venezuela teve. Não pode estar surpreendida, porque ela própria conhece a origem do problema, que como é do conhecimento geral, surge dum desacreditar do Povo Venezuelano, nos políticos que ao longo de décadas, levaram este País a ruína económica, ao caos social e ao fim do regime político vigente, que embora tivesse a particularidade de ser alternado entre o centro-esquerda e o centro direita (entre AD e COPEI), nada fizeram para dar prosperidade a um País que tudo tem para ser dos mais ricos do Mundo, mas que é hoje um País onde a pobreza é extrema numa faixa larga da sociedade civil, onde a corrupção domina todo o aparelho do Estado e onde a riqueza esta concentrada na mão de “meia dúzia”.

Com um Povo desiludido, que quis mudanças, que pretendeu mudar para melhor, acreditou no Hugo Chaves. Este como já é sabido enganou o Povo, tornou o Estado Venezuelano, num Estado totalitarista, que aos poucos tornou-se num país dominado por um regime comunista de inspiração castrista, que como se vê começa a amordaçar a opinião pública e a comunicação social e vicia todo o tabuleiro político para se perpetuar no poder, matando ao pouco e pouco a democracia venezuelana. E se não se lembram muitos cá e lá, acreditaram que Chaves seria uma espécie de “salvador da pátria”, a quem todos sem exclusão deviam de ajudar. Para depois como se viu, serem enganados.

De facto a nossa comunidade, não acreditou que a situação fosse degradar-se tanto e que a Venezuela se tornasse numa nova Cuba. Ninguém sonhou com um cenário tão negro, ninguém acreditou que a situação chegasse a onde chegou.

Também é verdade que a nossa comunidade nunca teve interesse em envolver-se na vida política venezuelana, nem encorajou os seus descendentes a envolverem-se na política. Mais isso deve-se do meu ponto de vista no geral a três situações. Os nossos emigrantes (grande parte deles), partiram a procura de melhores condições de vida que a Madeira não tinha, num tempo em que a ditadura, ainda existia por esses tempos, portanto em que ninguém discutia ou sequer falava de política, era proibido faze-lo. Portanto na cultura do emigrante a política não era para ser discutida, não era para eles.
A segunda razão, julgo que terá a ver com o tipo de actividade que desenvolve e que na sua larga maioria é de comércio directo e de contacto com o público, onde em regra se tem de passar a ideia de neutralidade e onde o tempo que dão as suas actividades, não lhes permite pensar noutra coisa, senão no trabalho e na actividade que desenvolvem (só para terem uma ideia em média os nossos emigrantes trabalham entre 10 e 12 horas por dia). Não estão ou pelo menos até alguns anos atrás para se chatearem com mais nada. O resto do tempo que lhes restava era para o convívio familiar e para o descanso.

E em terceiro lugar, viam a política como algo “sujo”, desacreditado, com o qual não queriam envolver-se, pelo menos de forma directa.

A situação e o comportamento da nossa comunidade muda quando o sistema, onde “gravitam” muda, isto é, só começam a envolver-se nas questões políticas, quando sentem, que estão ameaçados e que os seus interesses económicos também estão ameaçados.

Meu caro Filipe, estes emigrantes, como aqueles que já regressaram a Madeira, tem em geral o mesmo comportamento, agem da mesma forma. São discretos, não se envolvem directamente na vida política regional, não fazem onda ao poder político instalado.

Se o poder político não os prejudica e não interfere nos seus negócios, deixa-os andar!...

É o mesmo “modus operandi”.



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